O município de Santa Rosa, localiza-se no noroeste do Rio Grande do Sul (Figura 1), com área de 489,8 km², possuindo em torno de 73.254 habitantes (IBGE, 2019). A cidade é categorizada como “Polo Noroeste” e conhecida popularmente como “Berço nacional da soja”.
Figura 1: Localização do município de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, Brasil.

Fonte: Câmara Municipal de Santa Rosa-RS, 2015.
Possui sete municípios limítrofes: Tuparendi, Tucunduva, Três de Maio, Senador Salgado Filho, Ubiretama, Cândido Godói e Santo Cristo. Estas cidades dividem cursos hídricos muito importantes, como os rios Santa Rosa, Pessegueiro e Santo Cristo, pertencentes a Bacia Hidrográfica dos Rios Turvo – Santa Rosa e Santo Cristo. Situa-se a norte-noroeste, entre as coordenadas geográficas 27°07′ a 28°13′ de latitude Sul e 53°24′ a 55°20′ de longitude Oeste. (SEMA 2012).
Pertencente ao bioma Mata Atlântica, região fitogeográfica de Floresta Estacional Decidual (IBGE, 1992), caracterizada por duas estações climáticas, sendo uma delas o período chuvoso e outra de longo período seco, que resulta em disjunções florestais com estrato dominante macro ou mesofanerofítico predominamente caducifólico, ou seja mais de 50% dos indivíduos e espécies desprovidos de qualquer folhagem no ciclo desfavorável (VELOSO ET. AL. 1991).
Antes de tornar-se independente, a cidade integrava o território dos Sete Povos das Missões, fundada pelos padres jesuítas, pertencendo a Porto Alegre, Rio Pardo e Santo Ângelo. Somente em 1915, em decorrência a execução do plano de loteamento de terras para assentar a população que residia na região, foi fundada a Colônia 14 de julho. Posteriormente, no ano de 1927, quando contava com aproximadamente 35 mil habitantes, surgiu o plano de emancipação. Foi então, no dia 1º de julho de 1931, que o general José Antônio Flores da Cunha, interventor do Estado, assinou o decreto-lei 4.823, criando o município de Santa Rosa, sendo instalado oficialmente como o 82º município gaúcho.
Neste histórico, no qual os anos se perpassam, pouco é relatado como se deu o processo de expansão da colônia até virar município. A questão histórica ambiental aproxima-se da realidade vivida ao longo de todo território gaúcho e em diversos outros estados do Brasil.
Sua colonização por imigrantes europeus em busca de boas terras para sobreviver, obrigava-os a colocar a floresta virgem abaixo (Figura 2), instalando-se assim, as primeiras moradias, abrindo as primeiras estradas e experimentando os primeiros plantios na terra vermelha do noroeste, sendo a agricultura o principal fator das grandes derrubadas das vastas florestas que cobriam a região.
Figura 2: Desmatamento para produção agrícola na antiga colônia Santa Rosa, Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
Devido as ações antrópicas do desmatamento para tornar as florestas em áreas de plantio, hoje nos restam pequenos fragmentos florestais espalhados em meio a grandes lavouras, tornado estes remanescentes em verdadeiras ilhas que abriga a biodiversidade regional. Tais ações, segundo Bierregaard et al. (1992), pode acarretar no isolamento de populações e até a própria extinção de determinadas espécies em função da perda destes habitats.
BIERREGAARD, R.O.; LOVEJOY, T.E.; KAPOS, V.; SANTOS, A.A.; HUTCHINGS, W. The biological dynamics of tropical rainforest fragments. BioSciences, v.42, p.859-866, 1992.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE) Disponível em https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/rs/santa-rosa.html
SEMA. Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Disponível em: https://www.sema.rs.gov.br/u030-bacia-hidrografica-dos-rios-turvo-santa-rosa-santo-cristo
VELOSO, H.P.; Rangel Filho, A.L.R.; Lima, J.C.A. (1991). Classificação da Vegetação Brasileira, adaptada a um sistema universal. IBGE, Rio de Janeiro. 112 pp.
www.camarasantarosa.rs.gov.br/camara/conteudo/imprensa/o-Municipio/1/2020/1
O “Projeto Dispersar” é um projeto independente de cunho ambiental, que preza pela preservação e conservação da biodiversidade regional.