Espécies Ameaçadas

Índice

Espécies ameaçadas

A supressão da vegetação original está diretamente ligada ao crescimento e expansão do desenvolvimento humano (VIANA ET AL., 1997). Resultante a este avanço, podemos citar inúmeros fatores que acarretam a diminuição da população ou até mesmo a extinção de determinadas espécies. Entre as causas que enfrentamos hoje, as mais prejudiciais são as práticas agrícolas mecanizadas, exploração agropecuária, extração de madeira, a caça e captura de animais silvestres. Todas essas ações antrópicas (causadas pela ação humana) possuem efeitos negativos para as espécies e seus habitats.

Em consequência a estas ações surge a fragmentação florestal, ocasionando uma menor variedade de habitats em comparação com os grandes fragmentos, tendo pouca heterogeneidade de ambientes e nichos. O que é um fator muito importante em diversas questões, pois a disponibilidade de recursos alimentares e microhabitats especializados influenciam diretamente na biodiversidade (ZIMMERMAN & BIERREGAARD 1986, BROWN & HUTCHINGS 1997). Se observarmos o mapa do aplicativo “Aqui tem mata?” (Figura 1) do SOS M.A iremos compreender melhor o isolamento destas florestas, mesmo que o app contabilize a vegetação nativa acima de três ha, pequenos blocos são mapeados, totalizando para o município de Santa Rosa 1,193 hectares de mata atlântica, quantificando 2,44% da cobertura original de mata nativa.

Figura 1: Mapa caracterizando os fragmentos florestais acima de três ha em Santa Rosa, RS.

Fonte:  Aplicativo “Aqui tem Mata?” com dados do “Atlas da Mata Atlântica”, da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, 2020.

Segundo Blondel (1991), determinadas espécies de aves que evoluíram em extensas florestas muitas vezes não desfrutam de características ecológicas que lhes possibilitam resistir a fragmentação destes remanescentes florestais. O processo de tolerância em cada espécie sobre a antropização de seu ambiente natural se modifica conforme sua competência de transformar ou aumentar seu nicho, adaptando-se a disponibilidade do habitat. (WELTY E BAPTISTAL, 1962). Deste modo, os resultados para as respostas das diferentes espécies de aves a esta perda de habitat, irá variar para cada grupo, beneficiando algumas e prejudicando outras.

Santa Rosa apresenta nove espécies ameaçadas e duas com insuficiência de dados, conforme a publicação do decreto estadual n.º 51.797, de 8 de setembro de 2014 (FZB 2014). Entretanto, uma espécie não está inclusa, mas está presente na lista global da International Union For Conservation Of Nature, (IUCN 2016), quantificando nove aves ameaçadas até o momento. Em Ambas as listas, seus status de ameaça estão entre quase ameaçadas (NT) (Figura 2), e vulneráveis (VU) (Figura 3), duas espécies apresentam dados insuficientes (Figura 4,5), não tendo status de avaliação nem base de estudos sobre a sua distribuição geográfica e populacional a nível estadual. Entre elas estão:

Figura 2: Espécies quase ameaçadas-NT.

Espécies de aves quase ameaçadas da cidade de Santa Rosa.
Fotos: G. Brutti

(A) Coró-coró(Mesembrinibis cayennensis). (B) Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis). (C) Coruja-listrada (Strix hylophila). (D) Araçari-castanho (Pteroglossus castanotis). (E) Tesoura-do-brejo (Gubernetes yetapa)

Figura 3: Espécies vulnerávéis-VU.

Espécies de aves vulneráveis da cidade de Santa Rosa.
Fotos: G. Brutti

(A) Peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus). (B) Caboclinho-de-papo-branco (Sporophila palustris). (C) Pavó (Pyroderus scutatus). (D) Araçari-banana (Pteroglossus bailloni)

Figura 4 e 5: Espécies com Dados insuficientes-DI.

Sonograma Odontophorus capueira.
Sonograma da vocalização. Gravação: G. Brutti.

(4) Uru (Odontophorus capueira)  Disponível em: https://www.wikiaves.com.br/3294071

Pica-pau-rei
Foto: G. Brutti

(5) Pica-pau-rei (Campephilus robustus)

De todas as espécies encontradas até o momento, nove podem ser observadas em um ponto do município, localizado no Rincão dos Souza (Figura 6), sendo que seis, são encontradas exclusivamente nesta área.

Figura 6: Imagem de satélite da área amostral.

Imagem de satélite Rincão dos Souza
Fonte: Google Earth (2018)

Como descrito anteriormente, a presença destas espécies está diretamente ligada a locais mais preservados, em decorrência a disponibilidade de recursos, porém, os pequenos fragmentos também são territórios importantes para a conservação, por serem zonas de descanso para aves migratórias e fontes de recolonização para outras florestas, sendo capaz de diminuir o grau de extinção destas (FORMAN ET AL., 1976).

Referências Bibliográficas:

BLONDEL, J. Birds in biological isolates. In: PERRINS, C. M. et al. Birds population studies: relevance to conservation and management. Oxford: Oxford University Press, 1991. cap. 3, p. 45-72.

FORMAN, R.T.T. et al. Forest size and avian diversity in New Jersey woodlots with some landuse implications. Oecologia, Berlin, v. 26, p. 1-8, (1976).

Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (2014) Lista da Fauna Ameaçada de Extinção no RS. Disponível em: < http://www.fzb.rs.gov.br/upload/2014090911580809_09_2014_especies_ameacadas.pdf>.

IUCN. (2016). Strix hylophilaA Lista Vermelha da IUCN de Espécies Ameaçadas 2016.

VIANA, V.M. et al. Dynamics and restoration of forest fragments in the Brazilian Atlantic Moist Forest. In: LAURANCE, W.F.; BIERREGAARD, R.O. (Ed.) Tropical forest remnants: ecology, management and conservation of fragmented communities. Chicago: The University of Chicago Press, (1997). cap. 23, p. 351- 365.

WELTY, J.C.; BAPTISTAL, L. The life of birds. Orlando: Saunders, (1962).

ZIMMERMAN, B.L. & BIERREGAARD, R.O. (1986). Relevance of the equilibrium theory of island biogeography and species-area relations to conservation with a case from Amazonia. Journal of Biogeography, 13: 133-143.

https://www.aquitemmata.org.br/#/busca/rs/Rio%20Grande%20do%20Sul/Santa%20Rosa