Dicas de Observação

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Como Praticar a Observação de Aves:

A observação de aves ou passarinhada (birdwatching ou birding, no inglês) pode ser categorizada como uma atividade de lazer ou um hobby, que acaba influenciando positivamente no nosso bem-estar físico e emocional. O contato com o meio natural através da atividade nos possibilita uma conexão direta, onde o indivíduo torna-se, de alguma forma, parte e espectador do grande espetáculo ofertado pela natureza.

No entanto, a atividade vai além do lazer. Através das listas, fotografias e gravações que são realizadas no campo, potencializamos a educação ambiental e a ciência cidadã, contribuindo para a conservação das espécies e de seus ambientes naturais. É importante que passamos a conhecer melhor o que nos cerca, só assim iremos compreender e preservar. Para isso, montamos uma série de dicas para você, leitor, começar a observar as aves ao seu redor.

1º: Saiba o que existe ao seu redor:

 Inicie uma pesquisa básica sobre as espécies de aves que existem ao seu redor. Você pode começar a observar nas proximidades da sua casa, bairro ou parque, mas também é possível iniciar apenas olhando para fora da janela da sua casa, buscando identificar as aves pela vocalização ou pela observação direta. Talvez no primeiro momento você sinta dificuldade em identificá-las, mas com o auxílio de sites especializados e guias de identificação, você conseguirá facilmente saber “quem é quem” e se dará por conta que existe uma grande diversidade da avifauna convivendo diariamente com você.

2º: Atenção aos melhores horários para realizar a atividade:

Normalmente nas primeiras horas da manhã e no final da tarde acontece o maior pico de atividade das aves, período no qual estão vocalizando para defender seu território, buscando alimento, empoleirando-se, etc. Mas nem todas as espécies apresentam os mesmos hábitos, então é necessário estudar as características de cada família que você pretende encontrar. Durante o período diurno, por exemplo, algumas espécies de rapinantes aproveitam o final da manhã até o começo da tarde para planar nas correntes de ar ascendentes. Já no período noturno, podemos encontrar outras espécies de rapinantes, como as corujas, dentre outras famílias que possuem hábitos noturnos, como os Caprimulgidae (bacuraus) e os Nyctibiidae (urutaus).

3º: Trabalhe a sua paciência:

A paciência é algo crucial, pois quando estamos em meio à natureza, não seguimos roteiros. Mesmo mantendo-se em trilhas ou em caminhos demarcados, tudo o que acontece é inusitado. O relógio do tempo natural é diferente daquele que carregamos conosco. Ficar horas “de alcateia” acaba sendo normal para o fotógrafo e observador de aves, então, concentre-se e não tenha pressa.

4º: Guias e aplicativos de identificação:

Busque fontes confiáveis para auxiliar na identificação das aves. Existem inúmeros guias de identificação que podem lhe ajudar a distinguir e a compreender melhor suas características morfológicas e de distribuição. Os guias de identificação são uma boa ferramenta para se ter em mãos a todo momento. Também há aplicativos para dispositivos móveis, como o Merlin, desenvolvido pelo Cornell Lab of Ornithology, que disponibiliza tanto fotos das espécies quanto sua vocalização, mapas de distribuição e características.

5º: Conheça o local:

 É importante estudar o local onde vai observar. Para isso, dê uma olhada em sites como Ebird, Wikiaves, Táxeus, para ver quais espécies já foram registradas na área. Saber quais espécies ocorrem ou que possam ocorrer, facilita a sua busca e otimiza o seu tempo. Converse também com pessoas que já foram até o local e peça qual é o melhor acesso e o melhor ponto para realizar a atividade. No caso de áreas particulares, sempre peça autorização do proprietário.

6º: Fique em silêncio:

 Na observação de aves, a audição acaba sendo mais “utilizada” que a visão. É importante que o indivíduo fique em silêncio para fazer um mapa sonoro da área e saber quais espécies estão no local. O barulho acaba sendo um fator limitante na atividade, por isso, se for observar em grupo, fale baixo e somente quando necessário. Caminhe devagar e cuide para não fazer muita agitação, de preferência dê passos leves e pise primeiro com o calcanhar até levar o seu pé por completo ao chão.

7º: Use roupas adequadas:

Os trajes são um dos itens muito discutidos dentro da observação de aves e da fotografia de vida selvagem em geral. O praticante deve optar sempre por roupas com uma coloração mais discreta ou que se harmonize com o ambiente, preferencialmente os modelos camuflados. Os tons de verde forte e marrom são os mais indicados, aumentando as chances de observar o animal sem ser observado. Usar de preferência calçados de cano alto, como galochas e botas, perneiras, que também são bons acessórios e calças compridas. Use itens que são confortáveis, evitando se machucar enquanto caminha.

8º: Tome uma distância apropriada:

Normalmente o animal observado dará a distância na qual você irá permanecer para fotografá-lo ou observá-lo. A aproximação pode acabar espantando-o e deixando-o estressado, fazendo você perder o grande momento. Portanto, todo cuidado é pouco! A aproximação de um ser humano ou de um animal silvestre pode oferecer riscos a ambos, tanto em relação a ataques quanto à possibilidade de transmissão de doenças.

9º: Equipamentos para observação:

O binóculo é um equipamento indispensável na observação de aves. Por isso, devemos optar por modelos com aumento de 8 a 10 vezes e que tenham boa luminosidade. O primeiro número indicado na lente se refere ao poder de ampliação. Isso significa que essa lente aproxima os objetos essa quantidade de vezes. Já o segundo número é o diâmetro das lentes frontais (objetivas), o que influencia no tamanho do binóculo. Existem dois formatos, o Porro e o Roof. No Porro, os prismas não são alinhados, o que aumenta a sua profundidade e o seu tamanho. Já o Roof apresenta dois prismas retos, o que o torna menor, porém mais caro e complexo.

10º: Caderneta de campo:

Um dos itens que precisamos destacar aqui é a caderneta de campo. Mesmo que seja talvez um item “básico”, é de suma importância que a tenhamos junto. Assim podemos utilizá-la para anotar as espécies que foram observadas, transcrevendo algumas informações básicas de campo, podendo caracterizar o animal, planta e o local. Serve até mesmo para compartilhar no papel a expressão de alguns sentimentos que estamos presenciando no momento.

11º: O uso do Playback:

Existem alguns materiais que facilitam a observação de aves, fazendo com que elas sejam atraídas. Um deles é conhecido popularmente como “playback”, que nada mais é do que pequenos aparelhos sonoros que reproduzem a vocalização de determinado indivíduo, fazendo com que ele se aproxime e favoreça o avistamento e a fotografia. Contudo, é fundamental ter cuidado para não exagerar na reprodução da vocalização, pois pode acabar perturbando demais a espécie. O ideal é reproduzir o som por aproximadamente 1 a 2 minutos e aguardar de 3 a 5 minutos para repetir, tocando no máximo até 3 vezes.

12º: Para observações noturnas:

O uso da lanterna e do flash são essenciais para uma boa “corujada”. Estes equipamentos permitem que você consiga visualizar e fotografar as aves quando não há muita luminosidade no ambiente. Vale destacar certos cuidados durante sua utilização: não apontar diretamente para a ave por um longo período, nem disparar o flash com muita frequência, pois isso pode causar certo incômodo ao animal.

13º: Itens básicos para levar:

Alguns materiais básicos são essenciais para carregar na mochila quando vamos a campo. Dentre eles destacamos uma garrafa de água, pequenos lanches, repelente, protetor solar e, se necessário, alguns remédios, como antialérgicos e anti-inflamatórios, prevenindo-se de situações emergenciais.

14º: Observe em grupo:

A atividade torna-se mais prazerosa quando é compartilhada com mais participantes. Certifique-se da existência de algum COA (Clube de Observadores de Aves) em sua cidade ou nas proximidades. Além de fazer novas amizades, terá inúmeras trocas de experiências com o grupo.

15º: Compartilhe seus registros:

Após ter encerrado a sua observação, revise suas fotos e quantas espécies pôde observar ao longo do caminho percorrido. Existem plataformas digitais (citadas no item 6, como o Ebird, Wikiaves, Táxeus e Biofaces) que possibilitam o compartilhamento dos registros, abastecendo o banco de dados destes portais, servindo como base para melhorar a compreensão da distribuição geográfica das espécies.